domingo, 6 de abril de 2008
Como sempre, no primeiro sábado de cada mês: late night sushi.
"os livros não mentem...", os autores e os leitores é que se enganam, às vezes...
Momentos deliciosos.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
A noite abre-me os olhos com:
Thao Nguyen & The Get Down Stay Down
Santogold
Estrella Morente
Yale Naim
Chuck Berry
[:P uma feliz reminiscência que muitos de vós vão considerar o atestado do meu "repugnante e lastimoso" mau gosto, mas caramba eu perdi a conta às vezes que cheguei a dançar esta música feita maria-maluca enquanto via e revia maravilhada com o meu irmão e outros compinchas o filme Back to the Future !! Quem não se lembra???? Quem não teve skates com rolamentos especiais que por pouco não voavam...! Não é saudosismo - é Back to the Future, again... and again... sempre o "again"... veremos... o que ele me reserva...]
sexta-feira, 28 de março de 2008
Having a Coke with you

or being sick to my stomach on the Travesera de Gracia in Barcelona
partly because in your orange shirt you look like a better happier St. Sebastian
partly because of my love for you, partly because of your love for yoghurt
partly because of the fluorescent orange tulips around the birches
partly because of the secrecy our smiles take on before people and statuary
it is hard to believe when I’m with you that there can be anything as still
as solemn as unpleasantly definitive as statuary when right in front of it
in the warm New York 4 o’clock light we are drifting back and forth
between each other like a tree breathing through its spectacles
and the portrait show seems to have no faces in it at all, just paint
you suddenly wonder why in the world anyone ever did them
I look
at you and I would rather look at you than all the portraits in the world
except possibly for the Polish Rider occasionally and anyway it’s in the Frick
which thank heavens you haven’t gone to yet so we can go together the first time
and the fact that you move so beautifully more or less takes care of Futurism
just as at home I never think of the Nude Descending a Staircase or
at a rehearsal a single drawing of Leonardo or Michelangelo that used to wow me
and what good does all the research of the Impressionists do them
when they never got the right person to stand near the tree when the sun sank
or for that matter Marino Marini when he didn’t pick the rider as carefully
as the horse
it seems they were all cheated of some marvellous experience
which is not going to go wasted on me which is why I’m telling you about it.
Frank O’Hara
quinta-feira, 27 de março de 2008
domingo, 23 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
Em falta |.| em tempo.
Casa de Areia, 2005Andrucha Waddington
perdoar-me. restituir-me. redescobrir-me. devolver-me. lembrar-me. de mim.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Eu queria trazer-te uns versos Nora....
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Sua palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para os ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel.
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube
o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente de puro, ao
vento da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!
...porque
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
sábado, 15 de março de 2008
Porque:
2005.»
Marianne Mueller *UNTITLED, 1993-1998»
|post-it-verde|
...porque quero perder-te de vista:
___________________.tenho de:
___________________.desviar a rota das andorinhas;
___________________.retardar, ou impedir a chegada da Primavera;
___________________.evitar que a delonga dos dias se instale no quarto;
___________________.acalentar o corpo c/ o namoro do frio;
___________________.criar vapor de lágrimas;
___________________.ligar o aquecedor no máximo. [tomara que neve lá fora];
... porque quero um choque-térmico nas paredes do quarto.
... porque quero o quarto quente e asfixiado por dentro com o frio do lado de lá. do avesso do quarto.
... porque quero o vidro da janela. da minha janela. o vidro da janela do meu quarto com vista para o lado que fora. agora embaciado por dentro pelo frio. de fora.
... porque quero-o, enfim, embaciado. quero o vidro da janela do meu quarto embaciado.
____________________. assim. terá de ser, assim... um embaciado provocado, produzido, suscitado e ocasionado, porque de outra maneira, de outra forma... de forma natural, é difícil perder-te de vista. e distanciar-me. de ti:
____________________. porque:
____________________.fechar a janela. descer os estores. correr as cortinas e mudar de quarto... não consigo: não tenho força: os braços e pernas pesam. tal como o peso de um corpo morto. é difícil. assim.
____________________. assim. não consigo. e eu quero o recomeço.
... porque quero perdê-lo de vista, quem me oferece um vidro fosco ou embaciado?.
a janela, pode ficar.
a janela, tem de ficar.

Jackson Pollock, Springs, 1950
.Rudy Burckhardt.
[*detesto dizer "publicamente" quais os meus artistas preferidos, obras de eleição e tal... mas desta vez, não me coíbo de dizer que esta Senhora é "a Senhora do [meu] momento". Portanto, aviso-vos desde já que mais dia menos dia não estranhem a alteração de visual (...)só me falta escolher o "penteado"/re.corte certo para o cabelhaço.]
sexta-feira, 14 de março de 2008
«A mesma origem nocturna»
Rui Chafes - "... Marcel Duchamp esse grande sacana!"
a-de-braços-cruzados - Marcel Duchamp... sacana?!?!...
Rui Chafes - "Tão sacana quanto John Cage!"
a-de-braços-cruzados- não posso crer?!? Então por quê?! Aprecio ambos: foram provocadores, quebraram os cânones estabelecidos, subverteram os princípios pretensamente absolutos da arte... atribuíram novos significados, aproximaram a arte à vida e a vida à arte. Abriram o caminhos para novas derivações e concepções artísticas, não compreendo???
Rui Chafes - "desviaram a arte para um caminho estreito, empurrando-a para um beco sem saída."
a-de-braços-cruzados- está a querer dizer-me que Duchamp fez a acepção da obra de arte como a negação da própria obra de arte. Cage fez a acepção da música como a negação da própria música.
Rui Chafes- " Cage cria música, ou reproduz o som de uma porta que se abre? é música ou o som".
a-de-braços-cruzados- É o som, ele cria e valoriza o som, a melodia e o silêncio, a urgência do silêncio na sociedade contemporânea. e não o ruído...!!
Rui Chafes - "mas não é música, é o som da porta. de uma porta."
a-de-braços-cruzados- então, está a dizer-me que importa devolver o 'sentimento aurática' e o 'sentido transcendente' à arte? Reivindica a necessidade de sair do minimalismo ou do pós-minimalismo 'imposto'?
Rui Chafes - " da urgência de libertar a arte pós-duchampiana instituída... que subsiste...inexplicavelmente"
a-de-braços-cruzados- e que ainda persiste, anacronicamente...
Rui Chafes - "da necessidade de libertar a arte da vacuidade deste mundo tecnocrata, cibernético, facilitista. da arte facilitista e do facilismo na arte e das facilidades promovidas no mundo moderno".
a-de-braços-cruzados- ...no sentido de restituir a grandiosidade da criação, enquanto 'trabalho físico e árduo', como diz, da concepção artística, do acto de criar como nos pré-rafaelitas e simbolistas...? O sentido superior, do sagrado, metafísico... à semelhança da arte gótica também com a qual identifica os seus 'trabalhos'?
Rui Chafes - " é angustiante ver uma beata de cigarro exposta enquanto objecto artístico... actualmente deixou de haver o tal «êxtase» contemplativo. Pois que os becos são viveiros de especialistas na arte e os museus um laboratório de analistas que se especializaram... banalizaram a arte. qualquer coisa serve e 'é'."
a-de-braços-cruzados-- restituir o sentido supremo da arte, elevação superior e imaterial do objecto, a arte que "tenha como destino as nuvens", o destino eleito de Goethe...
Rui Chafes - "sim, devolver o lado mágico. sentir o milagre. como nos ritos e mitos arcaicos para que se abra um lugar para a possibilidade da própria recriação subjectiva e pessoal do objecto. Tal como os nossos filhos, a obra de arte, é mais do que matéria, células, pele, ou madeira ou ferro, por exemplo... - mais que uma justificação biológica - é o milagre da dádiva. Também os filhos que concebemos não são nossos, são uma seta. As minhas obras são qualquer coisa que concebi e partem para o infinito que desconheço, para o desconhecido, para algum sítio...".
a-de-braços-cruzados - é o sentido da vida. e para a vida. para dar sentido à vida. cria-se. cria. Na concepção de André Malraux, que concebeu a ideia, enquanto conceito e método de aproximação às realidades outras, o "Deus" é o "incognoscível e, antes de mais, a luta contra a Morte". A toda a imagem, com efeito, preside o desejo de apropriar um lugar-outro, ou um não-lugar, e por essa via, de lhe proporcionar a eternidade, fixando nela uma realidade ontológica até aí não existente: porque desprovida de imagem. Ai que já me perdi... desculpe.
Rui Chafes - "sim, eu trabalho sobre o invisível. Parto do real matérico,à semelhança de Giacometti, e procuro a metáfora da transcendência. Superar-me. Prolongar-me na dúvida e para a dúvida. "
a-de-braços-cruzados- por isso trabalha arduamente em ferro e aço, como Giacometti e,...
Rui Chafes - "desmaterializo as peças, vou desmaterializando"...
a-de-braços-cruzados- são transparências. funde a arte com o espaço natural que a acolhe, e assim tocam no céu, e vemos a natureza e apercebemo-nos do tempo. espaço-tempo-e-matéria : o belo em comunhão... Giacometti dizia que os "seus homens" são "fios de aço delicados que unem o céu à terra"...
Rui Chafes - "respeitar a vida é ter a noção do tempo e envelhecer com ele. aceitando-o. Olhar para o céu e pensar no que está para além dele, e deixar-se ser emocionalmente arrebatado... tal como no sentimento estético provocado pela arte. é exactamente a mesma dúvida. a dúvida desse sentir. do lugar desse sentir."
a-de-braços-cruzados- o Belo. isso é o belo. é assim que o defino. o tal quelque-chose. Que está para além do objecto visível. Justificar-se. Procurar acendalhas para o espírito, como dizia Ruskin, partindo da experiência sensível da matéria para a transcendência que está para além do objecto ou da imagem: como na música... através da qual acedemos a viagens imaginárias, ou como no cinema que tem a faculdade mais imediata de nos projectar para um lugar-outro. acontece-me sempre 'isso' , 'sempre' que assisto aos filmes de João César Monteiro- specular- , reporto-me, ou projecta-me e lançando-me para um lugar estranho situado entre a sordidez e a epifania. Será isso? Essa liberdade onírica. Arrebatadora? E simultaneamente a eterna procura e justificação de nós próprios... um lugar de reencontro connosco próprios...
Rui Chafes- "uma viagem irracional, sim, é isso. Trabalho sobre a intuição, com a intuição. com uma grande carga indomável. não domesticada. Há sempre o impulso inicial mas nunca sei o que vai acontecer."
a-de-braços-cruzados- Artista é aquele nasce com a pulsão para a dúvida e para a inquietação... é assim que defino e identifico um artista. e a ARTE.
Rui Chafes- " O artista tem de se trair a si mesmo e cair no abismo para descobrir o seu próprio caminho. O artista tem de ser inconsequente. A obra tem de ser incompleta para ser eterna."
a-de-braços-cruzados- a arte enquanto eterno . a arte é a eternidade emprestada a curt- prazo pelo preço de um «sopro de fé».« sopro dolorosamente suave.*».
08/03
* "A painfully soft blow",2001 - uma das esculturas de Rui Chafes, expostas no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.
.porque a arte podendo ser qualquer coisa, não pode ser uma coisa qualquer...
Auto-re.trato|.|me:
08/03
"Pós" - sacanas.
Snoopy - Não. É o fim do construtivismo russo.»
quinta-feira, 13 de março de 2008
O Palácio da Ventura
...
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão — e nada mais!
Antero de Quental
agora .beijo-te com outros olhos.
vejo-me nos teus como nunca antes nus
teus me vira. olhos nos olhos.
.gira. nossos. agora. molhados .
vejo-te com outros beijos.
olho-to com outros olhos
de outra forma com outro jeito.
língua.pela.pele.pelos.nossos.ossos.corpos.sem pejos. despidos. por lábios. inteiros.mas mordidos. entregues. e entrelaçados. despojados.molhados.
.agora .
beijo-te com outros olhos.
.porque me vês nos teus.
.porque te vês nos meus.
.nos olhos.
.teus.
nos nossos
olhos
.agora suados.














