segunda-feira, 31 de março de 2008

A noite abre-me os olhos com:



Thao Nguyen & The Get Down Stay Down





Santogold




Estrella Morente



Yale Naim



Chuck Berry

[:P uma feliz reminiscência que muitos de vós vão considerar o atestado do meu "repugnante e lastimoso" mau gosto, mas caramba eu perdi a conta às vezes que cheguei a dançar esta música feita maria-maluca enquanto via e revia maravilhada com o meu irmão e outros compinchas o filme Back to the Future !! Quem não se lembra???? Quem não teve skates com rolamentos especiais que por pouco não voavam...! Não é saudosismo - é Back to the Future, again... and again... sempre o "again"... veremos... o que ele me reserva...]

sexta-feira, 28 de março de 2008

Having a Coke with you



is even more fun than going to San Sebastian, Irún, Hendaye, Biarritz, Bayonne
or being sick to my stomach on the Travesera de Gracia in Barcelona
partly because in your orange shirt you look like a better happier St. Sebastian
partly because of my love for you, partly because of your love for yoghurt
partly because of the fluorescent orange tulips around the birches
partly because of the secrecy our smiles take on before people and statuary
it is hard to believe when I’m with you that there can be anything as still
as solemn as unpleasantly definitive as statuary when right in front of it
in the warm New York 4 o’clock light we are drifting back and forth
between each other like a tree breathing through its spectacles

and the portrait show seems to have no faces in it at all, just paint
you suddenly wonder why in the world anyone ever did them
I look
at you and I would rather look at you than all the portraits in the world
except possibly for the Polish Rider occasionally and anyway it’s in the Frick
which thank heavens you haven’t gone to yet so we can go together the first time
and the fact that you move so beautifully more or less takes care of Futurism
just as at home I never think of the Nude Descending a Staircase or
at a rehearsal a single drawing of Leonardo or Michelangelo that used to wow me
and what good does all the research of the Impressionists do them
when they never got the right person to stand near the tree when the sun sank
or for that matter Marino Marini when he didn’t pick the rider as carefully
as the horse
it seems they were all cheated of some marvellous experience
which is not going to go wasted on me which is why I’m telling you about it.

Frank O’Hara

quinta-feira, 27 de março de 2008

... e da cartola saem...




os meus
super-heróis:













Jan Von Holleben

.da série Deams of Flying.








missão: acredidar e fazê-los acreditar.




domingo, 23 de março de 2008

Fly on...



...Little Wing

Jimi Hendrix

quinta-feira, 20 de março de 2008

Em falta |.| em tempo.

Casa de Areia, 2005

Andrucha Waddington




post-it-verde:

perdoar-me. restituir-me. redescobrir-me. devolver-me. lembrar-me. de mim.



segunda-feira, 17 de março de 2008

Eu queria trazer-te uns versos Nora....




Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Sua palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para os ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel.
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube
o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente de puro, ao
vento da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!

...porque

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.




sábado, 15 de março de 2008

Porque:

«COMBINE (kom'bain) explores a way of looking at the world that manifests itself once you leave behind the orders of chronology, subject matter, and memory. I depart from my own archive and its structure and start to combine images taken in various contexts. There are mirror effects, doublings, contrasts, a kind of caleidoscope disrupting linear time, its parallel and sequential logic. An abstract fiction starts to emerge from my visual vocabulary.
2005.»


Marianne Mueller *


« [da série] A PART OF MY LIFE, published in 1998, is a fictional diary, a fictional portrait. It investigates everyday life and intimacy while establishing the fantasy of a self. Whether this fantasy has anything to do with the artist, to what degree they correspond, remains an open question, both taunting and haunting.
UNTITLED, 1993-1998»


|post-it-verde|

...porque quero perder-te de vista:

___________________.tenho de:

___________________.desviar a rota das andorinhas;
___________________.retardar, ou impedir a chegada da Primavera;
___________________.evitar que a delonga dos dias se instale no quarto;
___________________.acalentar o corpo c/ o namoro do frio;
___________________.criar vapor de lágrimas;
___________________.ligar o aquecedor no máximo. [tomara que neve lá fora];


... porque quero um choque-térmico nas paredes do quarto.
... porque quero o quarto quente e asfixiado por dentro com o frio do lado de lá. do avesso do quarto.
... porque quero o vidro da janela. da minha janela. o vidro da janela do meu quarto com vista para o lado que fora. agora embaciado por dentro pelo frio. de fora.
... porque quero-o, enfim, embaciado. quero o vidro da janela do meu quarto embaciado.

____________________. assim. terá de ser, assim... um embaciado provocado, produzido, suscitado e ocasionado, porque de outra maneira, de outra forma... de forma natural, é difícil perder-te de vista. e distanciar-me. de ti:

____________________. porque:

____________________.fechar a janela. descer os estores. correr as cortinas e mudar de quarto... não consigo: não tenho força: os braços e pernas pesam. tal como o peso de um corpo morto. é difícil. assim.

____________________. assim. não consigo. e eu quero o recomeço.


... porque quero perdê-lo de vista, quem me oferece um vidro fosco ou embaciado?.
a janela, pode ficar.
a janela, tem de ficar.




Jackson Pollock, Springs, 1950
.Rudy Burckhardt.






[*detesto dizer "publicamente" quais os meus artistas preferidos, obras de eleição e tal... mas desta vez, não me coíbo de dizer que esta Senhora é "a Senhora do [meu] momento". Portanto, aviso-vos desde já que mais dia menos dia não estranhem a alteração de visual (...)só me falta escolher o "penteado"/re.corte certo para o cabelhaço.]












_______________



L'année dernière à Marienbad, 1961


.Alain Resnais.



sexta-feira, 14 de março de 2008

«A mesma origem nocturna»


Der Misanthrop, 2002

Rui Chafes

para contemplar. tocar. usufruir. sentir. com tempo: aqui.


Rui Chafes - "... Marcel Duchamp esse grande sacana!"
a-de-braços-cruzados - Marcel Duchamp... sacana?!?!...
Rui Chafes - "Tão sacana quanto John Cage!"
a-de-braços-cruzados- não posso crer?!? Então por quê?! Aprecio ambos: foram provocadores, quebraram os cânones estabelecidos, subverteram os princípios pretensamente absolutos da arte... atribuíram novos significados, aproximaram a arte à vida e a vida à arte. Abriram o caminhos para novas derivações e concepções artísticas, não compreendo???
Rui Chafes - "desviaram a arte para um caminho estreito, empurrando-a para um beco sem saída."
a-de-braços-cruzados- está a querer dizer-me que Duchamp fez a acepção da obra de arte como a negação da própria obra de arte. Cage fez a acepção da música como a negação da própria música.
Rui Chafes- " Cage cria música, ou reproduz o som de uma porta que se abre? é música ou o som".
a-de-braços-cruzados- É o som, ele cria e valoriza o som, a melodia e o silêncio, a urgência do silêncio na sociedade contemporânea. e não o ruído...!!
Rui Chafes - "mas não é música, é o som da porta. de uma porta."
a-de-braços-cruzados- então, está a dizer-me que importa devolver o 'sentimento aurática' e o 'sentido transcendente' à arte? Reivindica a necessidade de sair do minimalismo ou do pós-minimalismo 'imposto'?
Rui Chafes - " da urgência de libertar a arte pós-duchampiana instituída... que subsiste...inexplicavelmente"
a-de-braços-cruzados- e que ainda persiste, anacronicamente...
Rui Chafes - "da necessidade de libertar a arte da vacuidade deste mundo tecnocrata, cibernético, facilitista. da arte facilitista e do facilismo na arte e das facilidades promovidas no mundo moderno".
a-de-braços-cruzados- ...no sentido de restituir a grandiosidade da criação, enquanto 'trabalho físico e árduo', como diz, da concepção artística, do acto de criar como nos pré-rafaelitas e simbolistas...? O sentido superior, do sagrado, metafísico... à semelhança da arte gótica também com a qual identifica os seus 'trabalhos'?
Rui Chafes - " é angustiante ver uma beata de cigarro exposta enquanto objecto artístico... actualmente deixou de haver o tal «êxtase» contemplativo. Pois que os becos são viveiros de especialistas na arte e os museus um laboratório de analistas que se especializaram... banalizaram a arte. qualquer coisa serve e 'é'."
a-de-braços-cruzados-- restituir o sentido supremo da arte, elevação superior e imaterial do objecto, a arte que "tenha como destino as nuvens", o destino eleito de Goethe...
Rui Chafes - "sim, devolver o lado mágico. sentir o milagre. como nos ritos e mitos arcaicos para que se abra um lugar para a possibilidade da própria recriação subjectiva e pessoal do objecto. Tal como os nossos filhos, a obra de arte, é mais do que matéria, células, pele, ou madeira ou ferro, por exemplo... - mais que uma justificação biológica - é o milagre da dádiva. Também os filhos que concebemos não são nossos, são uma seta. As minhas obras são qualquer coisa que concebi e partem para o infinito que desconheço, para o desconhecido, para algum sítio...".
a-de-braços-cruzados - é o sentido da vida. e para a vida. para dar sentido à vida. cria-se. cria. Na concepção de André Malraux, que concebeu a ideia, enquanto conceito e método de aproximação às realidades outras, o "Deus" é o "incognoscível e, antes de mais, a luta contra a Morte". A toda a imagem, com efeito, preside o desejo de apropriar um lugar-outro, ou um não-lugar, e por essa via, de lhe proporcionar a eternidade, fixando nela uma realidade ontológica até aí não existente: porque desprovida de imagem. Ai que já me perdi... desculpe.
Rui Chafes - "sim, eu trabalho sobre o invisível. Parto do real matérico,à semelhança de Giacometti, e procuro a metáfora da transcendência. Superar-me. Prolongar-me na dúvida e para a dúvida. "
a-de-braços-cruzados- por isso trabalha arduamente em ferro e aço, como Giacometti e,...
Rui Chafes - "desmaterializo as peças, vou desmaterializando"...
a-de-braços-cruzados- são transparências. funde a arte com o espaço natural que a acolhe, e assim tocam no céu, e vemos a natureza e apercebemo-nos do tempo. espaço-tempo-e-matéria : o belo em comunhão... Giacometti dizia que os "seus homens" são "fios de aço delicados que unem o céu à terra"...
Rui Chafes - "respeitar a vida é ter a noção do tempo e envelhecer com ele. aceitando-o. Olhar para o céu e pensar no que está para além dele, e deixar-se ser emocionalmente arrebatado... tal como no sentimento estético provocado pela arte. é exactamente a mesma dúvida. a dúvida desse sentir. do lugar desse sentir."
a-de-braços-cruzados- o Belo. isso é o belo. é assim que o defino. o tal quelque-chose. Que está para além do objecto visível. Justificar-se. Procurar acendalhas para o espírito, como dizia Ruskin, partindo da experiência sensível da matéria para a transcendência que está para além do objecto ou da imagem: como na música... através da qual acedemos a viagens imaginárias, ou como no cinema que tem a faculdade mais imediata de nos projectar para um lugar-outro. acontece-me sempre 'isso' , 'sempre' que assisto aos filmes de João César Monteiro- specular- , reporto-me, ou projecta-me e lançando-me para um lugar estranho situado entre a sordidez e a epifania. Será isso? Essa liberdade onírica. Arrebatadora? E simultaneamente a eterna procura e justificação de nós próprios... um lugar de reencontro connosco próprios...
Rui Chafes- "uma viagem irracional, sim, é isso. Trabalho sobre a intuição, com a intuição. com uma grande carga indomável. não domesticada. Há sempre o impulso inicial mas nunca sei o que vai acontecer."
a-de-braços-cruzados- Artista é aquele nasce com a pulsão para a dúvida e para a inquietação... é assim que defino e identifico um artista. e a ARTE.
Rui Chafes- " O artista tem de se trair a si mesmo e cair no abismo para descobrir o seu próprio caminho. O artista tem de ser inconsequente. A obra tem de ser incompleta para ser eterna."
a-de-braços-cruzados- a arte enquanto eterno . a arte é a eternidade emprestada a curt- prazo pelo preço de um «sopro de fé».« sopro dolorosamente suave.*».

08/03


* "A painfully soft blow"
,2001 - uma das esculturas de Rui Chafes, expostas no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.


.porque a arte podendo ser qualquer coisa, não pode ser uma coisa qualquer...



Auto-re.trato|.|me:

Rui Chafes - "...'heterónimos'... hum... não sei? No meu caso, é a esquizofrenia. A minha esquizofrenia é total, mas vulnerável. Começo num ponto e acabo noutro, quando acabo... quando consigo acabar.... No entanto, estou sempre próximo de mim. O que faço, ou o que sou, ou uma parte de mim, é uma fábula total."


08/03

"Pós" - sacanas.

«Charlie Brown - Tão lindo que está o céu azul com aquela nuvem. Olha, é um elefante!
Snoopy - Não. É o fim do construtivismo russo.»

quinta-feira, 13 de março de 2008

O Palácio da Ventura


Marc Chagall


...

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão — e nada mais!

Antero de Quental

Agenda-se:


» 21 h. : 30 m. «

___ herspace__
agora .
beijo-te com outros olhos.

vejo-me n
os teus como nunca antes nus
teus me vira. olhos nos olhos.
.gira.
nossos. agora. molhados .
vejo-te com outros beijos.

olho-to com outros olhos
de outra forma com outro jeito.
língua.pela.pele.pelos.nossos.ossos.corpos.sem pejos. despidos. por lábios. inteiros.mas mordidos. entregues. e entrelaçados. despojados.molhados.
.agora
.
beijo-te com outros olhos.
.porque me vês nos teus.
.porque te vês nos meus.
.nos olhos.
.teus.
nos nossos
olhos
.agora suados.









.Underwater love.

Smoke City

___________




Le feu follet, 1963

.Louis Malle.

...________________



There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A little shy
And sad of eye
But very wise
Was he

And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things, fools and kings
This he said to me
"The greatest thing
You'll ever learn
Is just to love
And be loved
In return"


"The greatest thing
You'll ever learn
Is just to love
And be loved
In return"

quarta-feira, 12 de março de 2008

Guess what & guess where & guess who:


____________

dentro em breve
encontra-se lá fora.
dentro em breve.

algures adentro
num cotovelo da rua
que aperta a sua verve.

...

uma amiga encontra-a e

pergunta-lhe:
queres t' ir embora?dentro em breve?
ela responde-lhe:
...


ó pá até ia mas preciso de passar pelo lidl p'ra comprar um pack de
noodles . estão em promoção. e sabes como é, se não for agora... esgota-se num ápice! e estou a morrer de fome...
a amiga acrescenta:
no "mini-mini preço!" também há uma outra promoção não menos despicienda.
- de quê?
de uns preparados de "pesto" !

olha que bom! juntamos o pesto aos noodles!
dentro em breve
na hora do belo manjar elas constatarão:

ó pá... faltam os pinhões!
e por fim, desoladas dirão:

ó pá isto assim não presta... vamos à pizza hut!
dentro em breve
encontra-se lá fora.

dentro em breve.

algures adentro
num cotovelo da rua
que aperta a sua verve
ambas dirão. porque já não é só uma. são duas. ambas dirão:
que roubalheira. isto foi um dinheirão!!!
dentro em breve
mais dia menos dia
mais coisa menos coisa e tal...
num cotovelo de rua
nos degraus de uma igrejinha com uma tacinha de lata na mão...
contam os tostões, fazem olhinhos aos fiéis domingueiros que condoínhos lhes dizem:
olha que duas. 'tadinhas...
e entram lá p'ra dentro.
'tadinhos. esqueceram-se de limpar os pés. dizemos nós.
as duas 'tadinhas. ao relento.
no cotovelo da rua.
felizes. e contentes.
dentro em breve.



[adeus tristeza, até depois! temos a obrigação de desviar o rumo das tragédias:)]



Coisas que me ir - ri - tam so - le - ne - men - te. ou andam a mexer nas minhas tralhas.

Sexta - feira. 7 Março 2008. 10 e tal da matina... assusto-me!


ed. ípsilon <=> o meu rico post. de 02/03. vejam!


pois, irrita-me à brava. desde que mudou o cabeçalho que tem vindo a resvalar. depois disto, cresce_me uma dúvida: serão os meus gostos uma merda? talvez. ora gaita p'ra isto.

...da liberdade de errar.


«Errar, não parece, mas rima com Liberdade.
Em Portugal, confunde-se
Liberdade com Ausência de erro. Só tem liberdade para falar aquele que não erra. Mas quem é que decide o que é um erro? Somos um país ainda e sempre à espera do ditador. Como a Itália do Amarcord».

daqui:
Revista Atlântico.

_____________



- entre o riso e o siso sugiro-vos Amarcord, 1973. não para despertar consciências, não para pensar, não: nem para isto, nem para aquilo. sugiro-vos: para se divertirem, ou nem por isso... para: não perderam o chão, ou para: se atirarem para o chão, ou... para: fugirem do chão.... entre o siso e o riso lá se escapa uma lágrima que cai. onde? no tal chão. entre o riso e o siso sugiro-vos: o burlesco. sem bolinha. com bolinha. no canto. do olho também. que está e se fica. a bolinha. vermelha. é. pois do vermelho se trata. não caspicaram nada, pois não? óptimo, vejam o filme então!

- para aguçar o apetite transcrevo palavras que saltaram da tela [ mentirinha  para abrilhantar o texto. saltou,  efectivamente, da minha toshiba] para o meu caderninho de apontamentos [ aquele das argolas douradas*] :


. não olhes, senão ficas todo excitado!
.vamos queimar a bruxa velha! Quero posso e mando!
.é o inverno que está a morrer e a primavera que está a chegar.
. dou-te chutos no cu até ficar em carne viva! Vá lá! Mostra-te, e eu explico-te tudo cara a cara.
.como faz?
.felicidades.
.cumprimentos...
.tique-taque, tique-taque...
.sangue romano e celta nas veias.
.vem cá, mando-te para o hospital se te apanho!
.deito estricina na sopa! Mas mato-te eu primeiro! adesso!
.viva o duce!
.não gostarias de jogar contra ele?
.cobarde! Cobarde! És tu um cobarde!
.que fazes aí? Para dentro! Para casa!
.tem de brindar ao fascismo! - A esta hora?!
.porta-te bem e abre a boca!
.tio, o mar daqui parece um risco azul.
.não se cansa de olhar para o ovo. a natureza é tão perfeita.
. tio, o Teo subiu a uma árvore.
.quero uma mulher! Quero uma mulher!
. é uma necessidade bastante normal, ele tem quarenta e dois anos!!
.este tipo é um assassino, que alguém te dê um tiro nos tomates!
.queres ficar aí em cima? Então está está bem! Adeus.
. é uma comédia! É uma palhaçada.
.desce daí! Não estou para aturar estes jogos parvos!
. é isso, os homens são todos iguais. Não chores...
.onde estou eu? Parece que não estou em lado nenhum. Vai nevar. Perdi-me Não encontro a minha casa. Onde estou?
. onde estás meu amor?
.a tia morreu [...] . Titta abre! - Não! Não!
.Não.
* esqueçam o meu bloco de apontamentos, detenham a vossa atenção e imaginação no filme que vos sugiro. é bem mais giro que o meu rico & estimado bloquinho... 



-n'a pas de fa presto p'ra ninguém! il rigore è stato!!-









[um achado muito-muuito jeitosinho na arquivo ;) ]

«Memória de Jorge de Sena»

«A revista literária Relâmpago vai editar um número dedicado a Jorge de Sena. Mais do que justo. Sena é um dos maiores intelectuais portugueses do nosso tempo, um extraordinário romancista, um prefaciador incomum pelas pistas de leitura que propõe, um ensaísta fora de série - e um dos três maiores poetas que Portugal produziu no século XX. Quando, em 1977, nas cerimónias do 10 de Junho, Guarda, proferiu o discurso inaugural, a convite do Presidente da República, Ramalho Eanes, o autor de Metamorfoses e Peregrinatio ad Loca Infecta advertiu, grave e veemente, dos perigos que corria a democracia, caso desistíssemos de ser cidadãos. É um documento impressionante, pela previsão crítica e pela luminosa lucidez. Tempos antes, numa entrevista que lhe fiz para o Diário Popular, afirmou que "estavam a repetir- -se os vícios do Estado Novo".

Como era de hábito, as declarações de Jorge Sena fizeram estremecer as bem-pensâncias. Nunca moera as palavras no vácuo. Nunca fizera conversa mole, e sempre dissera o que entendia dever dizer, doesse a quem doesse. O País padreca, de literatos menores, de cabisbaixos campeões da convivência, não perdoava a este homem livre e, ainda por cima, de alto coturno intelectual, a grandeza que se não burilava com frases de pequeno conceito.

Fomos amigos, carteámo-nos dividindo sarcasmos e alguns desprezos. A correspondência afectuosa tem continuado com sua mulher, Mécia de Sena, também ela uma escritora de belíssimo registo. A dimensão do romancista de Sinais de Fogo (raramente citado, embora seja um dos grandes textos ficcionais da literatura portuguesa) era e é demasiada para o mesquinho na mesquinhez de uma pátria na qual o desnecessário recebe o contentamento, e a mediania ascende às primeiras páginas dos suplementos "culturais". O processo de amnésia histórica possui bases ideológicas, e os acasos da fortuna são convertidos em evidências da razão. A revista Relâmpago corrige uma omissão, emenda um deliberado esquecimento e sentencia às sombras da afronta a ignorância atrevida de um jornalismo traquinas. Tudo o que Jorge de Sena pressagiou, no discurso da Guarda, e na entrevista (com outra) ao Diário Popular, se tem confirmado. A democracia portuguesa está deformada. Os partidos estão desacreditados e os políticos são desacreditantes. Portugal sobrevive num sonambulismo onde o desacerto se tornou coisa aprazível e a mediocridade a medida de todas as coisas.

Recordo o meu amigo inesquecível. E, também, o desassombro intelectual e a braveza moral de um homem que, no momento dado, não hesitou em participar numa revolução armada, antecedente do 25 de Abril, e conhecida pela Revolta da Sé.

Pátria madrasta, País padrasto.»

artigo de opinião assinado por Baptista-Bastos
DN 05/03




[detesto fazer transcrições do que se escreve na imprensa escrita por variadíssimas razões: ora porque todos os blogs o fazem, ora porque gosto de pensar por mim, ora porque leio jornais, e leio-os para mim e cada qual que pense por si e para si, ora porque este espaço, para além de ser mais-ou-menos-assim-assim é muito-pouco sério, ora porque não preciso deste sítio para me promover e mostrar a terceiros que leio. e leio muito. e penso ainda mais. pois que é no constante desafio do dia-a-dia que tenho de provar aos outros e a mim própria o que sei, ou não sei, ou o que penso, ou deveria pensar. e não aqui. ora, ora, ora, ... ora porque, e talvez seja esta a verdade mais sincera e objectiva: a tacanha fisionomia deste "blog" não permite tamanha ousadia: o pobre coitado tem pernas, braços, mãos, e peito muito pequenos, fracos e estreitos para acolher palavras musculdas e pensamentos robustos. é indigno e minorca para abraçar qualquer-coisa que seja grande. mas desta feita, porque se trata da fina flor da Memória de Jorge de Sena ... que me perdoem, mas teve de ser ...foi desta! desde terça-feira que este artigo me beliscava... ]

Sobre a 'inquietante estranheza'. sobre o lugar das coisas.



Será possível alguém corar de vergonha por nunca ter visto o filme "x", ficar constrangido com a cena "y" do filme "z", sentir os dedos tremerem com a performance da actriz "k", ficar sensibilizado perante a fotografia de Robert Mapplethorpe que faz da imagem um hino contra a coisificação do ser humano, e no entanto, esse suposto alguém, esquece-se que a arte pode deixar de ser uma celebração de vida se outro-alguém decidir, enfim..., convertê-la e reduzi-la a um mero adereço decorativo ou na pior das hipóteses transformá-la em exéquia fúnebre.

terça-feira, 11 de março de 2008

Atmosfera in|.|tensa.

_______________

«dos que têm fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem


Susan Sontag, "Sobre fotografia". Companhia das letras, 2004.

.Nan Goldin.

Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com caracter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana

Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo

Um homem e uma mulher um cartaz denuncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia
iminente a captura A policia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e nas avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique Antes
que a invenção do amor se processe em cadeia

Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos

[...]

excerto do poema A invenção do Amor de Daniel Filipe.

Polaroid.

disco. grafia. da Alma Mater ao Cinema. de f|r|io a pavio.

com Rodrigo Leão.

entre o vai e vem do rebentar das ondas. do tempo. um espaço. dentre uma aberta.

um mergulho.


Regresso...

regresso. lavo a minha culpa. em água quente. fervente. levo para o ralo a minha culpa leve. desculpo-me. no chuveiro. e escorrego. de pé. encostada ao azulejo da parede. sinto o frio. atrás. colado às costas. escorre-me a água. pelo corpo. quente. à frente. da a cabeça aos pés. ao pé. direito. aí. de ti. a. e. a eito.

em frente. a. e. aí. ao. pé. de ti. água suja. que suga um sentimento infectado. para baixo. no fundo. que cai. para baixo. enxuta. já não me ralo. olho-me. vejo-me num espelho embaciado.

es. t. à. 'quecido.
por um corpo. quente. presente. em frente. estou à minha espera. ou és tu Do. arte? estiveste ao meu lado? e sem desculpas nada leves. pesadas. vejo as horas. já é tempo. estou à minha espera. é o teu relógio Duarte? e o secador? preciso de secar o cabelo em queda.

qu' é. dele.?.

ou

qu' é dela.?.

- quem?






[... a propósito de uma semana emocionalmente crepitante. extasiante. de arritmias e oscilações tímbricas de fazer inveja a Vivaldi!. Uma nova estação. de tempo. de ondas. de rádio. uma nova estação.]
compassos a par e passo. @ home. regresso. thinking about myself and some stupid & cuttie mistakes i've made... a casa. and then... penso|.|me. vejo.me. gosto.me. oh happy days.



9:20 - Oh when he washed. Washed my sins away. Oh its a happy day.



10:17 - He taught me how. To watch watch and pray. Watch and pray.



01:40 - And live rejoicing everyday. Everyday. Oh happy day.

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«Fuck! Fuck you! Fuck me! Fuck old people! Fuck children! Fuck peace! Fuck peace...»

[Christine - “Me And You And Everyone You Know”, 2005 Miranda July ]


Afterimage

Disparou. Tocou. de raspão. quem. Alguém. «foi*».

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